São tantos os amigos e tantos os nomes, e são tantos os pecados e são poucos os perdões. E são tão duras as verdades, e são tão saciantes as mentiras. Não digo estar frustrada, mas admito estar ociosa. Vivo em tempos onde não há nada. Nem um pingo de respeito ou felicidade. Até mesmo o estômago reclama. Tudo que, um dia, foi cheio, agora nos escapa. É tão mais fácil falar, tão mais fácil que sentir, e viver. E viver se tornou uma obrigação. Os anos de estudo, os filhos voltando antes das cinco do parquinho. O mundo girando, o tamanho da lua aumentando. Os tsunamis de água e receios...
Eu sei do tamanho da minha barriga e da minha vontade de engolir o mundo. Sei de você também. Sei que nada se resolveria em um abraço, mas certas feridas saram. E está tudo desabando, dentro ou fora. Sem que ninguém esteja pronto para se despedir. Tenho pensado muito nas coisas que deixei para pensar depois. Eu poderia estar aqui te jurando amores, mas se nada mais restar, não é esse meu amor por você que vai perdurar.
Eu nunca pude salvar nada e, de certa forma, eu desejava. Eu ainda desejo. Pois mesmo perdendo tempo, ainda não é tarde demais;no fim pode dar certo. Ao menos que eu não tente e nem acredite. Eu poderia te jurar amores, mas juro hoje eu tenho medo. Se você estivesse naquele avião, naquela beira-mar, naquelas torres, em qualquer lugar. Se algo para você representasse qualquer perigo, o mínimo perigo, eu arcaria com as forças e os riscos de quem segura o mundo.
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