Foi deitada no seu colo que eu consegui parar para analisar toda a produção intensa de longas horas sem fim que dediquei a criação de coisas concretas não palpáveis centenas de abstracções que tive tanto medo de perder que assim as guardei dentro de mim, sem querer saber que noites e dias de produção era produzido de areia ácida que ao mesmo tempo que se desmanchava nas minhas mãos me destruía ao toca-las.
Procurando de porta em porta, galerias para expor onde eu não imaginei que tivesse foi onde eu encontrei, com o preço mais acessível e as acomodações mas agradáveis foi sem pensar em mais nada que ali coloquei todas que pude, na observação minuciosa que você fez ao passar por cada uma delas a critica foi tão apropriada, e o entendimento abstracional de cada uma foi tão concreto aos seu olhos que eu não senti medo algum do preço que cada um poderia pagar por cada obra exposta à venda, por fim alguns trocados eu tinha no bolso e algumas obras já não eram mas minhas, sem achar que aquilo que tinha era muito pouco eu segui com a leveza nos ombros de que tudo que eu produzir sempre haverá um comprador disposto a pagar um determinado preço, pouco ou muito indiferente; apenas obter a minha obra.
Foi com as mãos no meu corpo que te mostrei toda aptidão que tenho na hora de criar obras de areia ácida que não tem o menor valor a não ser prá esse velha artesã que cria que carrega e que sente. E com marcas de bolas doloridas em busca do alivio foi assim que sai depois de me despir sem o menor julgamento. E foi assim que compreendi metade de tudo que estava bem na minha frente e eu não sabia enxergar, vinte e cinco reais mas de uma hora e quinze, um olhar sereno, um sorriso nos lábios, uma experiência que só ela sabe e uma simplicidade nítida, e um aconchego que sempre me deixa o gosto de querer mais, o colo dos últimos tempos, um jeito de saber me ter; vou guardar essa impressão registrada até o ultimo minuto que eu puder repetir novamente.
Dedico esse sem dúvida a querida Grazi. :)
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